As Vacinas e os Pacientes Diabéticos

As Vacinas e os Pacientes Diabéticos

O diabetes mellitus (DM) é um sério problema de saúde pública. Sua incidência e prevalência vêm aumentando nos últimos anos nas diversas faixas etárias, segundo levantamento da International Diabetes Federation (IDF).

O foco do tratamento da doença é o controle da hiperglicemia, visando prevenir complicações micro e macrovasculares. Além disso, vale ressaltar que a morbidade e mortalidade por infecções também é muito significativa. Dessa forma, é essencial a presença de um programa de imunizações voltado para essa população, respeitando as particularidades desses pacientes. Sabe-se que o DM, independente do controle glicêmico, pode apresentar disfunções metabólicas que prejudicam o adequado funcionamento do sistema imune, tanto
no combate a infecções virais como bacterianas.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças infecciosas em portadores de DM são a própria hiperglicemia – enfermidade de longa data mal controlada, imunodepressão, função pulmonar prejudicada, microangiopatia pulmonar, risco aumentado de bronco aspiração e outras doenças metabólicas coexistentes. Também é importante lembrar que o aparecimento de uma doença infecciosa pode levar à descompensação do controle glicêmico, o que, em alguns casos, provoca até mesmo cetoacidose ou estado hiperosmolar hiperosmótico. O descontrole glicêmico, por sua vez, aumenta o risco de hospitalizações por pneumonia em portadores de DM, o que enfatiza a importância da imunização desses indivíduos.

As vacinas são o método mais eficaz para diminuir a incidência de doenças infecciosas nessa população, além de apresentarem poucos e raros efeitos colaterais. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), as principais vacinas indicadas para pacientes portadores de DM são: influenza, haemophilus influenzae b, pneumocócica, hepatite B e varicela. A respeito da infecção pneumocócica, a taxa de mortalidade em sua forma invasiva é em média, de 10 a 20%, podendo chegar a 50%. Esses indivíduos apresentam um quadro infeccioso mais crítico, com um risco de hospitalização e morte por complicações relacionadas com a pneumonia três vezes maior do que a população em geral. Quanto mais alto o índice da hemoglobina glicada, maiores são essas possibilidades.
A infecção pneumocócica, além de promover a piora do controle glicêmico, também prejudica a função cardiovascular e renal desses pacientes. Sobre a infecção por influenza no portador de DM, os estudos epidêmicos mostram que a taxa de hospitalização é seis vezes maior durante uma epidemia do vírus, com um índice de mortalidade variando entre 5 e 15% nos pacientes internados. Existem evidências de que a infecção viral pode desencadear complicações coronárias nesse grupo, o que aumenta o risco cardiovascular em duas a quatro
vezes.

A vacinação tem se mostrado muito eficaz (também quanto ao custo) nessa população, reduzindo admissões hospitalares e complicações associadas. Outra infecção que pode ser prevenida por vacinação adequada é a causada pelo vírus da hepatite B. Ela pode levar à insuficiência hepática, cirrose e carcinoma hepatocelular. Pacientes com DM têm um risco duas vezes maior de infecção por este vírus. A eficácia e segurança das vacinas já estão
bem estabelecidas na literatura.

Portanto: identificar estes pacientes candidatos à vacinação; educar pacientes e familiares sobre os benefícios da imunização e o risco das doenças infecciosas; fornecer documentação adequada quanto às vacinas já recebidas e eventuais doses de reforço; e documentar eventuais eventos adversos são as estratégias que devem ser implantadas para melhorar as taxas de imunização, principalmente dos portadores de DM, que têm um desfecho
pior relacionado a doenças infecciosas.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Imunizações
www.sbim.org.br



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